Durante a pandemia, pacientes com os principais tipos de câncer tiveram o diagnóstico retardado e iniciaram tratamento em estágios avançados da doença. Em 10% das cidades brasileiras, o câncer tornou-se a principal causa de mortes. Essa é uma das consequências da redução no número de diagnósticos de neoplasias no Brasil, segundo um estudo do Observatório de Oncologia, que compara dados do SUS de 2019, 2020 e 2021.
Foram analisados dados dos cinco tipos de câncer mais incidentes no Brasil: mama, próstata, cólon e reto, pulmão e estômago.
O estudo mostra ainda que, em 2020, houve uma redução geral de 24% em procedimentos para detectar os cinco tipos de câncer mais comuns, no Brasil, que correspondem a mais de 200 mil casos de tumores malignos, por ano.
Queda de diagnósticos X aumento da mortalidade
Essa redução de diagnósticos, na pandemia, não significa menos casos, mas podem causar um aumento na mortalidade, nos próximos anos. Atualmente, as neoplasias são a segunda causa de mortes no Brasil, ficando atrás apenas das doenças cardiovasculares. Além de reduzir as chances de cura, a falta de rastreio adequado sobrecarrega o sistema de saúde, no seu fluxo e em relação aos custos de tratamento, uma vez que quanto mais avançado o câncer, é mais caro tratar.
Em 2020, ano em que a pandemia começou, as mamografias – principal exame para detectar câncer de mama – e os exames de câncer de estômago caíram em mais de 40% cento, em comparação com 2019. Por sua vez, as biópsias tiveram redução de 29%. Os exames de próstata reduziram 25% no primeiro ano da pandemia, os exames de detecção do câncer de pulmão caíram 23% os de câncer colorretal, 25%.
As desigualdades são evidentes entre as regiões do país. Para os cinco tipos de tumores pesquisados, a região Nordeste registrou, em 2020, a maior queda nos procedimentos de diagnóstico e tratamento. Essa redução superou a média nacional. Já no ano passado, foi a vez do Norte e Sudeste superarem a média do país.
Esses números evidenciam que o câncer é uma doença vinculada ao desenvolvimento social. E apesar dos avanços e tecnologia disponíveis, o número de estabelecimentos de saúde, equipamentos e profissionais disponíveis no SUS ainda são insuficientes para absorver a demanda, com forte tendência de crescimento, em virtude dos casos ainda represados por conta da pandemia.
População masculina é a que mais morre
O Observatório de Oncologia identificou que das 9.865 mortes registradas nas 606 cidades, a maioria foi entre homens (57%). Seguindo a tendência do grupo, os homens lideram o número absoluto de mortes em 23 estados.
Em 21 cidades, não houve sequer registro de óbito entre as mulheres. Elas só foram maioria nos registros de mortes no Ceará e em Mato Grosso do Sul. Em 62 municípios, as mortes registradas foram iguais para ambos os sexos.
Com relação à idade, metade das mortes se concentra nas faixas de 60 a 69 anos (25%) e 70 a 79 anos (25%). Em seguida, a maior proporção aparece no grupo dos que tinham mais de 80 anos (20%). Crianças e adolescentes, grupo que compreende a faixa etária de zero a 19 anos, somaram 1,3% dos óbitos.
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*Dados: DataSUS, Observatório de Oncologia, CFM (Conselho Federal de Medicina), SBOC (Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica).




