Na década de 1980, ocorreu algo inédito, uma doença infecciosa humana – a varíola – foi considerada erradicada.
Foi uma das doenças mais devastadoras da humanidade. Uma em cada três pessoas contaminadas morria. Só no século XX, estima-se que 300 milhões de pessoas no mundo morreram em decorrência da varíola.
Agora, que a humanidade presencia um novo surto de varíola, dessa vez não mais a humana e sim a varíola dos macacos – pelo menos 64 países confirmaram casos da doença – colocando o mundo em alerta para a possibilidade de uma nova pandemia, fica a pergunta: o que a erradicação da varíola humana traz de aprendizados para o momento atual?
A resposta está na vacinação. Foi graças ao esforço para eliminar a varíola, que o Brasil criou nos anos 1970, as bases do que hoje conhecemos como o Programa Nacional de Imunização (PNI), coordenado pelo Ministério da Saúde.
Essa retomada histórica é importante para entendermos o papel da vacinação no controle e prevenção de doenças e na promoção da saúde e bem-estar da população, em especial dos mais vulneráveis.
Mas calma, ainda não é momento de pensar em vacinação em massa para a varíola dos macacos. Continue a leitura e entenda mais sobre a doença, diferenças entre os dois tipos de varíola, formas de transmissão e prevenção, riscos para a saúde e recomendações sobre a vacinação.
Boa leitura!
Varíola humana e varíola dos macacos: quais as diferenças
Embora os vírus sejam parecidos, por isso têm a mesma vacina, as doenças são diferentes. A varíola dos macacos é considerada uma doença mais branda do que a varíola humana. Sua taxa de mortalidade é estimada entre 1% e 10%, a depender da cepa do vírus e do tipo de paciente (crianças, gestantes e imunossuprimidos estão sob risco maior), contra uma mortalidade de 30 % da varíola humana, que era mais perigosa e contagiosa.
O vírus da varíola humana geralmente não se espalha facilmente entre as pessoas, pois a transmissão respiratória é rara.
Os sintomas
Os sintomas da varíola dos macacos geralmente começam com uma mistura de febre, dores de cabeça, dores musculares, dores nas costas, calafrios, exaustão e linfonodos inchados.
Este último sintoma é normalmente o que ajuda os médicos a distinguir a varíola dos macacos da catapora ou da varíola humana, por exemplo.
Passada a febre, pode surgir erupção cutânea, que tende a se desenvolver de um a três dias depois, geralmente começando no rosto e depois se espalhando para outras partes do corpo, incluindo os órgãos genitais.
A erupção muda e passa por diferentes estágios, e pode parecer catapora ou sífilis, antes de finalmente formar uma crosta, que depois cai.
Existe tratamento? Qual as formas de prevenção?
Atualmente, não há tratamento específico recomendado para a varíola dos macacos e geralmente ela desaparece por conta própria, sendo tratados os sintomas e as lesões.
A vacinação contra a varíola humana possui 85% de eficácia para a varíola dos macacos. Mas, calma, ainda não é momento de pensar em vacinação em massa para a varíola dos macacos, mas apenas para profissionais de saúde, grupos vulneráveis e pessoas que tiveram contato com alguém infectado.
Varíola dos macacos: prenúncio de uma nova pandemia?
Provavelmente não. É muito difícil transmitir de pessoa para pessoa, ao contrário de um vírus respiratório como o SARS-Cov-2, por exemplo.
A transmissão da varíola dos macacos ocorre quando uma pessoa entra em contato com o vírus através de um animal, humano ou materiais contaminados. Para se infectar a partir de outro ser humano, é necessário haver um contato próximo, com troca temporária de fluidos e atrito direto ou indireto com material infectado.
Além disso, os sintomas óbvios da varíola dos macacos, especialmente as erupções na pele, ajudam a identificar os casos e a controlar os surtos mais rapidamente.
O momento é de alerta e de redobrar os cuidados, mas sem pânico.
Cuide-se e se tiver ou perceber alguém com sintomas, procure uma unidade de saúde.
Oncocenter, dedicada a você.




