Hepatites virais e câncer de fígado

Hepatites virais e câncer de fígado

As hepatites virais são causadas por vírus que infectam as células do fígado e podem provocar hepatite aguda, fulminante, crônica, cirrose e câncer. São mais conhecidas como hepatites A, B, C, D e E.

As hepatites A e E são de transmissão fecal-oral, adquiridas pelo consumo de água e alimentos contaminados. Causam hepatite aguda, na maioria das vezes assintomática, e, na idade adulta, têm maior risco de evolução para hepatite fulminante.

As hepatites B e C podem causar hepatite aguda e progredir, de forma silenciosa, para hepatite crônica, cirrose e câncer de fígado. A hepatite B é transmitida principalmente por via sexual e também por via vertical — da mãe para o bebê durante a gestação ou no parto.

Já a tipo C ocorre principalmente pelo compartilhamento de objetos perfurocortantes contaminados ou não descartáveis: tesouras, alicates de unha ou navalhas não adequadamente esterilizados, agulhas e seringas. A hepatite D, por sua vez, é mais frequente na Amazônia e se manifesta apenas em pessoas com infecção pelo vírus da hepatite B.

O movimento Julho Amarelo chama a atenção para as hepatites virais em todo o mundo, ainda que os cuidados com essas doenças devam se estender pelo ano todo. Hoje para a hepatite C, por exemplo, há uma linha de detecção e tratamento mais efetiva e simplificada, que abrange a maior disponibilidade de testes rápidos nas unidades básicas de saúde (UBS) e a recente introdução de medicamentos antivirais orais que levam à cura da doença após três meses de uso em mais de 95% dos casos.

Para se ter ideia, cerca de 1% da população brasileira tem hepatite C, principalmente nas periferias dos grandes centros urbanos.

Já a hepatite B acomete entre 0,5 e 6,2% das pessoas em nosso país — a distribuição é heterogênea por aqui, sendo maior na Amazônia. Diferentemente da hepatite C, a B apresenta maior complexidade para diagnóstico, com diferentes marcadores laboratoriais, e tratamento com antivirais orais que, embora induzam à supressão da carga viral, impedindo progressão para cirrose e câncer de fígado, não oferecem a cura.

Esses dados impressionam e poderiam ser reduzidos com a adoção de algumas estratégias:

Uso de preservativo para evitar a transmissão sexual;

Acompanhamento pré-natal, disponível pelo SUS, para impedir a transmissão vertical;

Vacinação, contemplada pelo Plano Nacional de Imunizações desde 1998 e hoje disponível a qualquer faixa etária.

O Instituto Brasileiro do Fígado (IBRAFIG) recomenda a todos os brasileiros com idade maior de 40 anos que realizem, ao menos uma vez na vida, o teste rápido para hepatite C. E a todos com idade superior a 20 anos que verifiquem sua situação vacinal para hepatite B. Quem não tem certeza de ter seguido o regime de três doses da vacina na infância deve fazer o teste rápido para hepatite B; em caso negativo, vacinar-se o quanto antes.

A maioria dos brasileiros que entram em fila de transplante de fígado, ou que recebem o diagnóstico de câncer hepático, conviveu com a Hepatite B e C por décadas, sem ter percebido qualquer sintoma. Fique atento! Para saber onde fazer os testes ou tomar as vacinas, basta enviar uma mensagem por WhatsApp para o número 0800 882 8222.

Fonte: IBRAFIG

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