VACINAÇÃO DO PACIENTE ONCOLÓGICO

VACINAÇÃO DO PACIENTE ONCOLÓGICO

No Brasil, são esperados mais de 600 mil novos casos de câncer a cada ano. Pessoas com câncer têm maior probabilidade de desenvolver um quadro de imunodeficiência grave. Nesses pacientes, as infecções contribuem significativamente para a morbidade e mortalidade, pois atrasam ou impedem o tratamento antineoplásico adequado.

Diante desse cenário, a vacinação é parte integrante e importante do tratamento oncológico. Em geral, a resposta vacinal é menor, porém não é ausente. O nível de comprometimento do sistema imunológico é determinante para essa resposta. Ainda assim, os pacientes sempre serão beneficiados pela vacinação, mesmo que em alguns casos, seja preciso lançar mão de esquemas vacinais específicos e personalizados.

A ausência de vacinação é uma preocupação mundial, sobretudo quando envolve o paciente oncológico. Uma pesquisa americana com pacientes em quimioterapia atestou que 30% nunca haviam sido vacinados contra a influenza. Um estudo demonstrou que a abordagem multidisciplinar (envolvendo médicos e equipe de enfermagem) pode aumentar a cobertura vacinal.

VACINAS ESPECIALMENTE RECOMENDADAS:

Vacinas Influenza:

Todos os pacientes com câncer acima de seis meses de idade devem receber a vacina Influenza anualmente. Os pacientes que recebem imunoterapias devem ser conduzidos individualmente. É preciso ponderar o risco/benefício, visto que existem controvérsias quanto ao maior risco de evento adverso pós-vacinação. A vacina influenza quadrivalente (4V) é preferível à vacina influenza trivalente (3V), pois protege contra mais tipos de vírus responsáveis pela doença.

Esquema de doses:

  • A partir de 9 anos: dose única anual.
  • Para crianças: consultar calendário de vacinação criança SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações).

Vacinas pneumocócicas

Para maiores de 6 anos, adolescentes e adultos, a única vacina pneumocócica conjugada licenciada e recomendada é a VPC13.

Esquema de doses: 

  • Adultos e idosos não vacinados com VPC13: uma dose de VPC13.
  • Para pessoas que já receberam a VPP23, mas ainda não foram vacinadas com a VPC13, recomenda- se um intervalo de 12 meses para a aplicação da VPC13.
  • Para crianças: consultar calendário de vacinação SBIm criança.

Vacina HPV

A vacina HPV quadrivalente (HPV4) faz parte do rol de vacina oferecidas para mulheres de 9 a 45 anos e homens de 9 a 26 anos que estejam com câncer.

Esquema de doses

Três doses a partir dos 9 anos com intervalos de um a dois meses entre a primeira e a segunda doses e de seis meses entre a primeira e a terceira. O esquema de três doses é obrigatório, inclusive para menores de 15 anos.

Vacina Haemophilus influenzae b

Esquema de doses

Crianças maiores de 1 ano, adolescentes e adultos não vacinados anteriormente ou com esquema incompleto: duas doses com intervalo de dois meses.

Vacinas meningocócicas conjugadas 

Sempre que possível, preferir a vacina meningocócica conjugada ACWY, que oferece proteção contra mais tipos de meningococos.

Esquema de doses 

Crianças maiores de 2 anos, adolescentes e adultos não vacinados, se imunodeprimidos: duas doses com intervalo de dois meses. 

Atenção: uma dose de reforço deverá ser aplicada a cada cinco anos, após o fim do esquema básico de doses para cada faixa etária cada faixa etária, enquanto durar o imunocomprometimento. 

Para crianças: consultar calendário de vacinação SBIm criança.

Vacina Hepatite A

Esquema de doses

Adolescentes e adultos não vacinados anteriormente: duas doses com intervalo de seis meses.

Para crianças: consultar calendário de vacinação SBIm criança.

VACINAS CONTRAINDICADAS

As vacinas de bactérias ou vírus vivos atenuados são contraindicadas em pacientes com câncer e que estejam recebendo tratamento imunossupressor, e/ou estejam com doença maligna não controlada.

O ideal é que sejam aplicadas quatro semanas antes (ou, no mínimo, 15 dias, se o prazo maior for inviável) do início do tratamento imunossupressor. Se não aplicadas antes, somente devem ser aplicadas, pelo menos, três meses depois do término de quimioterapia, desde que o câncer esteja em remissão e o paciente não esteja com grave imunocomprometimento.

VACINAÇÃO DOS CONTATOS DOMICILIARES

Os contatos domiciliares são potenciais transmissores de doenças a pacientes oncológicos. Em um estudo canadense, apenas 20% dos pais de crianças com leucemia estavam vacinados adequadamente.

As crianças são as principais carreadoras do pneumococo e a vacinação das mesmas reduziu em até 23% os casos de infecção em adultos.

Em caso de dúvidas quanto ao esquema vacinal dos familiares, consulte o médico.

O esquema vacinal do paciente oncológico deve ser prescrito de forma individualizada e acompanhado pelo oncologista e sua equipe.

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Fontes: SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações) e SBOC (Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica)

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