Receber um diagnóstico de câncer traz muitas incertezas e inquietações às mulheres.
No passado, o objetivo maior dos tratamentos oncológicos era a cura completa da doença, muitas vezes às custas de perdas na qualidade de vida, e sequelas físicas emocionais e sociais, e um dos efeitos colaterais das terapias era a infertilidade.
Com a tendência atual da maternidade tardia, a fertilidade feminina passa a ser uma grande questão. Atualmente, o objetivo dos tratamentos é muito mais amplo: além da cura, buscam a manutenção da qualidade de vida nos seus mais variados aspectos, incluindo os sonhos, projetos futuros e a possibilidade de constituição de uma família. Com isso surgiu uma nova área de estudo na oncologia: a oncofertilidade.
Mas afinal o que é oncofertilidade?
Área de estudo que conecta a oncologia e medicina reprodutiva, com o objetivo de desenvolver e aplicar técnicas para a preservação da fertilidade em mulheres e homens em tratamento oncológico.
Entretanto, como as mulheres são mais afetadas pelos cânceres ginecológicos em idades mais jovens, a questão da fertilidade tende a ter maior repercussão na população feminina. No Brasil, cerca de 19% dos novos casos de câncer em mulheres ocorrem em pacientes de até 44 anos de idade, e 21% até os 49 anos, período fértil para cerca de 90% das mulheres. Na faixa etária entre 20 a 39 anos, alguns dos tumores mais incidentes são câncer de mama, colo uterino e ovário, todos podendo afetar a fertilidade.
O tema é também de interesse dos homens que podem ter sua capacidade reprodutiva diretamente afetada por alguns cânceres ou seus tratamentos, como o de próstata e de testículos. No entanto, isso ocorre em menor escala e menor incidência na população masculina de faixas etárias mais jovens.
Como a fertilidade feminina pode ser afetada
O câncer e o seu tratamento não são, necessariamente, um impeditivo para que pacientes que enfrentam a doença possam ter filhos. Novas técnicas para preservar a fertilidade e estratégias de combate à doença menos nocivas à capacidade reprodutiva vêm ganhando espaço. Logo, a ideia de que o tratamento para determinados tipos de câncer – como mama, ovário e útero – leva incondicionalmente à infertilidade não é mais uma realidade.
Os médicos precisam orientar as pacientes a este respeito logo no início do tratamento, assim como as mulheres que desejam ter filhos, precisam manifestar este interesse e conversar com a equipe médica sobre as possibilidades para que a fertilidade seja preservada.
Efeitos dos tratamentos oncológicos sobre a fertilidade feminina
Quimioterapia – a maioria dos medicamentos quimioterápicos pode danificar os óvulos da mulher. A intensidade desse dano dependerá da idade da mulher, dos tipos de medicamentos e doses administradas;
Transplante de células tronco – geralmente envolve altas doses de quimioterapia e, às vezes, radioterapia. Na maioria dos casos, este procedimento pode interromper permanentemente a ovulação;
Radioterapia – doses elevadas de radiação no abdômen ou pelve podem destruir alguns ou todos os óvulos, provocando infertilidade ou menopausa precoce;
Cirurgia – a histerectomia, cirurgia para remoção do útero, é parte do tratamento para alguns tipos de câncer, o que impede a geração de uma criança. Os ovários e trompas também podem ser removidos;
Hormonioterapia – utilizada no tratamento do câncer de mama ou outros tipos, a hormonioterapia também pode levar à menopausa precoce.
Técnicas de preservação da fertilidade feminina
- Congelamento de óvulos: os óvulos maduros (em fase de desenvolvimento adequado para futura fertilização in vitro) são coletados e congelados e assim poderão permanecer sem perder a qualidade, por tempo indeterminado, para uso posterior.
- Congelamento de tecido ovariano e posterior transplante ovariano: fragmento de tecido ovarino é congelado, para futuramente ser transplantado novamente na paciente, retornando assim a sua atividade hormonal e desenvolvimento folicular para posterior ovulação. Essa técnica é geralmente utilizada em pacientes que ainda não entraram na puberdade ou em mulheres que não possuem tempo hábil para realizar a estimulação ovariana, para coleta dos óvulos, antes de iniciar o tratamento.
- Uso de medicações supressoras da função ovariana durante a quimioterapia: como os quimioterápicos possuem ação sistêmica, as células ovarianas, mesmo que não acometidas pelo câncer, sofrem os efeitos colaterais do tratamento, por isso para protegê-las, o funcionamento ovariano é temporariamente suspenso.
- Transposição dos ovários: para pacientes que serão submetidas à radioterapia em cavidade pélvica, tratamento que poderá danificar completamente o tecido ovariano, existe a opção da realização de um procedimento cirúrgico para transposição dos ovários para outro local em região de abdome superior que não será atingida pela radioterapia. Desse modo, é possível preservar a função dos ovários que serão reinseridos na cavidade pélvica, após a conclusão do tratamento.
O câncer não é uma sentença, não é necessário abandonar projetos e nem perder as esperanças em relação ao futuro, pelo contrário, alimentar os sonhos é um dos elementos que auxilia na cura. As informações sobre a oncofertilidade trazem para as pacientes oncológicas um novo horizonte, um projeto futuro que as motiva ainda mais seguir adiante com o seu tratamento.
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Fontes: SBOC, INCA e Observatório de Oncologia




